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Detalhe

Cadernos do Arquivo Municipal N.º 24, início da publicação de artigos

Dossier temático: Colonizar e descolonizar: relações Europa-África nos séculos XIX e XX

Fotografia de capa: Alfredo Cunha. Arquivo Municipal de Lisboa. Cota ALF000084

Já demos início à publicação contínua do N.º 24 dos Cadernos do Arquivo Municipal. Este número inclui o dossier temático 'Colonizar e descolonizar: relações Europa-África nos séculos XIX e XX', com coordenação de Isabel Castro Henriques (Universidade de Lisboa), ficando totalmente disponível até dia 31 de dezembro de 2025.

Sinopse do dossier temático
As relações entre a Europa e o continente africano, marcadas desde o século XV pela dimensão comercial, centrada na mercadoria escravo – o africano escravizado sendo comprado e exportado preferencialmente para as Américas – , modificaram-se progressivamente no século XIX, adquirindo uma nova organização relacional a partir de finais de Oitocentos. A ocupação efetiva dos territórios africanos pelos europeus e a instalação de um sistema complexo de exploração dos homens, das terras e das riquezas africanas marcaram as relações coloniais que se organizaram, conduzindo à perda da autonomia africana e à dominação europeia. O sistema colonial europeu vingou durante décadas, alimentado por mitos e justificações ideológicas e marcado por práticas violentas de exploração e controle das populações, vindo a terminar nos anos 1960 em grande parte do continente, graças à resistência dos africanos e às ideias de liberdade que sopravam no mundo ocidental, mas mantendo-se no caso português até 1974, após 13 anos de guerra e de destruição, que marcaram violentamente os territórios e os povos africanos até à sua independência nacional.
O dossier temático deste número pretende refletir sobre o colonialismo europeu em África, nos séculos XIX e XX, procurando explicar, através do atual conhecimento histórico, o facto colonial – uno, similar, transversal nas suas ideias e práticas – estruturado em diferentes vertentes territoriais e nacionais, e sublinhando a desconstrução de mitos, ideias e teorias que se foram sucedendo e metamorfoseando para legitimar e justificar as violências coloniais. Trata-se igualmente de dar voz aos Africanos, tão silenciados pelo sistema colonial, ouvindo as suas interpretações de uma realidade do passado próximo que deixou marcas significativas nos seus quotidianos. O fim do colonialismo, marcado por conflitos de natureza diferente, as ambiguidades da descolonização e as independências dos países africanos, mas também a leitura atual dos africanos sobre esta realidade histórica recente, constituem a outra dimensão do percurso historiográfico deste trabalho coletivo.